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Direitos Por Linhas Tortas

Paulo Cunha escreve um artigo no diário do minho onde expressa que esta greve é “surpreendente e desnecessária”. Não se percebem os argumentos na medida em que surpresa não houve pois entre o aviso da greve e o dia da mesma decorreu tempo suficiente para o executivo retirar a proposta, desnecessária também não é porque o governo está a tentar retirar direitos dos trabalhadores que se levantaram contra a agressão. 

Diz também o Dr. Paulo que os trabalhadores não irão perder nenhum direito e que não serão alvo de nenhuma revolução laboral. 

São mais de 100 alterações mas vamos verificar alguns exemplos então: 

1--> Este pacote laboral permite que contratos a prazo sejam usados para funções permanentes (isto é o que?).

2--> A duração dos contratos a termo fica alargada (e isto Dr?).

3--> Fragilização da contratação colectiva tornando mais fácil para o empregador ignorar as convenções colectivas (nenhum direito atacado na óptica do Dr Paulo).

4--> Despedimentos mais fáceis, com menos garantias e processos de reintegração limitados (mais uma vez é uma grande conquista para o nosso Dr).

5--> Normalização do Banco de horas reintroduzindo a figura do banco de horas individual e permitindo jornadas de trabalho até 10 Horas diárias sem pagamento do trabalho suplementar. (Onde já se viu um trabalhador achar isto um ataque, certo Dr?).

6--> Alargamento dos serviços mínimos a mais sectores o que é um ataque ao direito à greve reduzindo em muito a capacidade de protesto (o Dr aqui nada vê).

7--> Possibilidade de contratação a prazo de um trabalhador que nunca tenha tido um contrato sem termo, o que pode levar a que um trabalhador possa trabalhar toda a vida com contratos precários. (grande conquista certo Dr?).

8--> Enfraquecimento dos direitos relativos à parentalidade e licença de amamentação (nada para ver aqui aos olhos do nosso ilustre).

9--> Fim da regra de proibição de contratação em outsourcing às empresas que no ano anterior tenham despedido trabalhadores dessas mesmas funções ( e isto?).

10--> Incluem também uma proposta para que o trabalhador passe a poder renunciar aos direitos que tem na hora do despedimento, como salários ou subsídios em atraso (mais uma grande conquista de direitos na óptica do Dr).

Portanto, como podemos verificar, há perda de direitos? Há! 

Os trabalhadores são alvo de uma revolução laboral? São!

Os trabalhadores são alvo de uma revolução laboral mas não da revolução necessária, aquela que traria mais direitos, o fim dos contratos precários, a igualdade entre homens e mulheres, a impossibilidade de um patrão ganhar 1000 vezes mais que um funcionário, etc. Mas essa o Dr Paulo não quer preferindo defender a que ataca os trabalhadores dando mais poder aos já estão em posições privilegiadas. 

Gostava de saber o que leva um ex presidente da câmara e eurodeputado, que devia ter um grande conhecimento da população e saber as dificuldades no dia a dia das pessoas, a fazer um artigo defendendo a perda de direitos laborais ainda por cima omitindo a realidade tentando distrair as pessoas com truques mas vou deixar essa reflexão para vocês.

O que está em causa não é uma greve por capricho. É a defesa da dignidade no trabalho num país onde a precariedade cresce, os salários estagnam e os lucros disparam. Quando um governo escolhe atacar os direitos de quem trabalha, a greve não é apenas necessária — é inevitável

 

Um lobo pode disfarçar-se de cordeiro as vezes que quiser mas será sempre um lobo. 

 

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Vivemos tempos conturbados, as ultimas eleições legislativas foram uma derrota para a esquerda como um todo enquanto a direita mais extrema cresceu de forma histórica. A verdadeira derrota não foi só nas urnas mas também na desconexão com a vida e com o desejo concreto das pessoas. 

A política das sensações, esse sentimento difuso de que “isto não está a funcionar” é hoje generalizado no seio da população, o que levou a uma profunda fratura entre as pessoas e as instituições não conseguindo a esquerda chegar a essa fratura com força e clareza. 

A extrema direita cresce porque parece, aos olhos de muitos, como a única força que acusa o “colapso” das instituições. Apropria-se do discurso de que o estado já não serve as pessoas. O capitalismo criou uma revolução falsa contra si próprio com o único objetivo de se manter no domínio e levando por fim a uma maior perda de direitos e liberdades. “O Estado como ferramenta de opressão” usando uma falsa revolução para reforço da opressão.  

Não podemos gerir ruínas, urge passar à reconstrução radical. 

A nossa resposta não poderá ser reformar o sistema ou a continuidade do sistema existente mas sim a reconstrução com e para o povo, numa realidade socialista, democrática, realista e participativa com conselhos locais e poder popular para planear e decidir serviços públicos e orçamentos comunitários. 

O país está “partido” e cabe ao Bloco ser a força que convoca e que lidera a revolução, voltando às bases, com menos técnica e mais proposta transformadora.  Com coragem política para formar e educar, para repolitizar o descontentamento e reorganizar a presença local.

O futuro constrói-se a partir de baixo e o bloco tem que estar lá.

 

 

 

 

Sabem aqueles Tupperware´s com restos de comida que atafulhamos no frigorífico mesmo sabendo que vão começar a cheirar mal e teremos sempre que colocar no lixo depois? Foi exactamente isso que fizemos com este governo de Luís Montenegro. 

Antes da forma desastrosa como a coisa acabou devemos pensar um bocadinho no restante... 

O PSD, deu ao país alguns nomes que todos conhecemos, Sá Carneiro, Cavaco Silva, Durão Barroso, Santana Lopes, Alberto João Jardim, entre muitos outros como Duarte Lima e Oliveira e Costa, e deu-nos também Luís Montenegro. 

Como podemos verificar são tudo bons rapazes e todos são gente do mais elevado nível de seriedade. 

Mas trafulhice a parte que não vamos agora falar de BPN nem de atropelamentos de velhinhas, as políticas,  que essas sim, mais do que qualquer rendimento não declarado são essas mesmas que influenciam a vida de qualquer português no seu dia a dia. E nesse capitulo, Luís Montenegro não iria ser diferente dos governos do PSD que o antecederam, não iria, não estava, nem está a ser, continuando a ânsia de privatizar tudo o que mexe e de agora, tal como antes, entregar o máximo possível antes da saída. Miguel Pinto Luz é aliás um especialista em assinar decretos na 25ª Hora. 

Luís Montenegro chegou ao governo com a mesma bandeira de muitos governos do PSD, a descida do IRC, colocando assim mais dinheiro no bolso dos grandes empresários deixando logo à chegada os cidadãos comuns fora da equação. Um mês e pouco mais tarde, em Junho, o governo anuncia, em mais um PowerPoint todo airoso, medidas para acabar com as formas de regularização dos emigrantes em situação ilegal, e que rica medida para esfregar o ego dos apoiantes mais a direita e de colocar pessoas num limbo legal. Nota: Não esquecer que foi o PSD que pariu um Chega. 

E chegamos às medidas de apoio à habitação para os Jovens, medida muito anunciada para resolver o problema do acesso à habitação mas que no final de contas o que fez? Podem soar os tambores... Exactamente, fez o preço da habitação subir mais. Ficamos a saber também que quem mais beneficia da medida são jovens estrangeiros com maior poder de compra. Mas Luís Montenegro não ficou feliz, achou que os jovens portugueses já estavam a beneficiar demasiado desta medida e decidiu mais uma vez beneficiar quem? Lá está, decidiu alargar a medida às sociedades financeiras. Obrigado por olhares pela população Luís. 

Durante o seu governo Luís Montenegro decidiu também homenagear Pedro Santana Lopes fazendo mais nomeações num ano que António Costa em oito. Qualquer coisa como mais de vinte e seis mil pessoas. Sim, sim, isso mesmo, mais de vinte e seis mil pessoas colocadas em cargos e carguinhos. 

Como não podia deixar de ser, um governo do PSD não conseguiria estar em funções sem mexer na educação e na saúde. 

Tirando o caos da nomeação de professores que já só por si é motivo de indignação, o ministro decidiu ameaçar com o aumento de propinas, limitando o acesso dos que menos têm ao ensino superior. Esta medida ficou na prateleira por dois anos mas foi o suficiente para percebermos o que o governo desejava. 

Na saúde, ai senhores, na saúde...

Esta ministra é o exemplo que o serviço nacional de saúde é das melhores coisas que construímos mesmo após tantos ataques de diversos governos da direita.

O serviço nacional de saúde conseguiu aguentar no cargo até ao final uma ministra já defunta politicamente. 

Ana Paula Martins ficou marcada pelas falhas de atendimento do INEM, levando a 11 mortes. Ficamos a saber que a ministra tinha conhecimento dos pré avisos de greve e não fez nada. 

Este governo de Luís Montenegro ainda depois da sua queda tenta a toda a força retalhar o serviço nacional de saúde entregando-o aos privados. Cinco novas PPP estão em cima da mesa mesmo já sem legitimidade para tomar este tipo de decisões. Juntando a isto, o ainda governo defunto quer entregar cento e setenta e quatro centros de saúde para a gestão privada. 

Neste ponto já o Tupperware começava a cheirar mal mas ainda decidimos manter no frigorífico. 

Foi um ano demasiado mau, ainda podemos temperar este conteúdo com um ministro a chamar bêbado aos maquinistas da cp, com um pouquinho de lei dos solos que abre caminho a mais corrupção mas não sem antes adicionar ainda uma pitada de perceções que para o governo superam qualquer estatística ou estudo. 

Posto isto senhoras e senhores, a moção de confiança depois de tanta trapalhada foi só o Tupperware a pedir "deitem-me no lixo por favor". 

Os “zombies” vagueiam sem um padrão, numa dança sem obedecer a um tempo ou a uma forma, é uma massa de confusão sem um sentido certo, sem um tempo mas tudo no mesmo espaço. É um atropelo sincronizado que se torna até bonito de se ver. Corpos meio adormecidos deambulam uns atrás dos outros, por vezes em diversos sentidos, atropelam-se mas nem se vêem. 

 Visto de longe é como uma colónia de formigas que parecem deambular sem qualquer sentido mas na verdade vão umas atrás das outras seguindo as feromonas libertadas pelas da frente, no caminho para o mesmo objectivo. A formiga, como bichinho comunitário que é, liberta essa feromona, esse químico, para orientar as outras até à fonte alimento que as mesmas amealharão em conjunto para os dias que hão-de vir, tudo igual à nossa massa de “zombies”. 
 
 Os nossos queridos “zombies” seguem todos o mesmo objectivo mas, ao contrário da formiga que tem o intuito de amealhar, estes corpos letárgicos seguem a vontade de gastar o pouco que amealharam com horas da sua vida que venderam, a um preço injusto, enquanto eram explorados num qualquer trabalho precário. 
 
  Trabalharam horas de vida que não viveram, criaram nas suas cabeças necessidades que não têm e deambulam agora por corredores, tudo na mesma ânsia, a de cobrir uma falsa necessidade e saciar a fome momentânea da capacidade de compra. É o químico invisível do capitalismo que nos faz correr de loja em loja, que nos faz fazer um scroll incessável e falar por mensagem com a pessoa que está sentada ao nosso lado, é este químico invisível que nos faz caminhar, ir a concertos, a museus, viajar, até esperar à porta de um qualquer wc sem retirar os olhos de um ecrã. É esta feromona do scroll, da imagem da tv, do clicar em “saltar anuncio” de um qualquer video de youtube que já nos ver 30 segundos antes de fazer o tal clique mesmo para o cérebro assimilar a mensagem, é a imagem de um corpo que não existe e que nos faz desejar aquele creme reafirmante que nunca afirmou nada mais que um “compra-me”. 
 
Esta capacidade de fazer um ser humano ir cheio de vontade e de sorriso nos lábios para a confusão de um centro comercial onde se é mal atendido, onde se espera para tudo e mais alguma coisa, onde as pessoas se abalroam sem um simples “desculpe”, devia ser melhor aproveitada. Se uma publicidade indesejada é capaz de nos fazer ir almoçar por 20€ a um sitio onde esperámos em pé, acartamos o nosso próprio tabuleiro com comida requentada e já meio fria enquanto vagueamos na procura de uma mesa livre e minimamente limpa, também deve bem ser capaz de nos fazer ir cheios de alegria e orgulho a um qualquer hospital ou a uma loja do cidadão. 
 
Ao contrário das vozes do Pontal que pedem um corte nos impostos, devemos exigir ao sr ministro das Finanças que invista em publicidade de Youtube ou que contrate dois ou três "instagramers" e "tik tokers" para que percebamos a alegria que é podermos ir a um serviço publico gratuito e de qualidade (sem deixarmos de exigir sempre mais e melhor). 
 

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O novo ano traz sempre novas resoluções, novas vontades, novos desejos... Prometemos até a nós mesmos coisas que sabemos logo à partida que não vamos cumprir. 

Há uns anos prometi deixar de fumar, cumpri por uns bons quinze dias. No fundo mantive a promessa enquanto as rabanadas, o cabrito, o bacalhau e toda uma parafernália de doçaria conventual andava aqui a assombrar a minha zona abdominal. Depois o pior de mim voltou, e volta sempre. 

Há coisas que sabemos que são dado adquirido e nunca mudam. O meu peso é um exemplo espetacular, há anos que segue a tendência de crescimento positivo e por muito que tente nunca diminui, tal como meu vicio de fumar e, sei lá, os nomes nos boletins de voto também sabemos que são sempre de candidatos, certinho. Esperem, esperem aí....

"Eduardo Baptista, o candidato militar condenado a ficar de fora"

Ora aqui está um noticia maravilhosa digna de um impropério lindo e dito a pulmões cheios. 

Um pré candidato às eleições presidenciais chamado Baptista, nada contra (fazer 2 segundos de silêncio constrangedor), militar, conseguiu, segundo o próprio, as assinaturas “de um camarada militar”, outra “de um amigo” e “o resto da família”. Notem que são 11 assinaturas, uma proeza. Mas o problema não está aqui, o senhor conseguiu o que conseguiu, nem está num militar que concorre ao cargo de Chefe Supremo das Forças Armadas só ter conseguido a assinatura de "um camarada militar", o grande problema é que o nome do senhor estará presente nos boletins de voto, e não só estará presente como até "ganhou" o sorteio e será o primeiro da lista...

Então teremos um boletim com sete candidatos e um penetra. 

Alguém está a brincar com coisas sérias. E se o não candidato tem uma votação significativa? E se amanhã mais pessoas se lembram de ser candidato falso? Vamos eleger um presidente verdadeiro e um falso? Com poderes de brincadeira? E depois não somos a Venezuela?

 Tenham um bom ano e mantenham-se quentinhos por dentro e por fora.

 

 

Já se falou o suficiente do Novo Corona Virús, ou COVID-19?

Já todos vocês sabem que têm que ser socialmente responsáveis e que devem FICAR EM CASA? 

Não sei se perceberam mas ficar em casa significa fechar a porta com vocês lá dentro. OK? Perceberam? Dentro da casa. Sem discotecas, sem idas ao café nem para à praia, sem ir açambarcar todo o papel de higiênico do mundo.... Por falar nisso... A sério? Papel Higiênico? É essa a vossa preocupação num período de contenção? E preservativos? Se entre cagar e pinar a vossa preocupação é ter o rabinho afagado com uma folha de papel o melhor é irem mesmo com o caraças.

Vamos falar de coisas sérias só um bocadinho?

Vamos pensar no que esta situação nos mostra?

Em tempos destes, em tempos de crises e de grandes dificuldades a quem é que todos nós recorremos? Em que porta batemos?

Sempre ao Estado, sempre ao SNS. Até aqueles que defendem o serviço privado, que querem engordar as seguradoras e os donos de hospitais privados à custa dos nossos impostos, batem à porta do SNS nos piores momentos. São os primeiros a exigir respostas por parte do Estado. 

O SNS é um dos pilares da nossa sociedade, é o ultimo garante quando tudo falha. Aqueles que tão acerrimamente defendem o serviço privado, fazem-no, sempre a contar com a rede de segurança do SNS quando os privados falham. 

O que esta situação nos mostra é que é na Saúde pública que temos que apostar, é ela a resposta da sociedade para o bem estar de todos os indivíduos e comunidades. 

É possível um SNS mais forte, com um orçamento reforçado e com uma clara separação entre o que é publico e o que é privado batendo-nos sempre por um reforço da capacidade pública onde esta não existe. 

Temos, como sociedade, de perceber que o SNS é a nossa ultima garantia de saúde e muitas vezes de sobrevivência. É pelo serviço, por aqueles profissionais de saúde (que tanto necessitam das suas carreiras valorizadas), por todos nós, que temos que de uma vez por todas e a uma só voz lutar pelo fim do interesse dos que querem lucrar com a saúde e colocar no centro da atenção o SNS. 

PS: Parem de se embrulhar em papel higiênico e fechem-se em casa, na dificuldade usem o bidé e deem uma mangueirada por baixo. Limpa e refresca.

 

https://covid19.min-saude.pt/

Covid-19: Sabe como lavar as mãos corretamente? A DGS ensina

 

Os dias estão cada vez mais curtos ou é impressão minha? Agora aproveito as viagens para consegui colocar as leituras em dia já que o tempo de manta e sofá está cada vez mais escasso. 

Uma viagem é sempre uma aventura não só pela viagem em si mas também pelas voltas e revoltas a que nos obrigam com voos atrasados e cancelados. Valha-nos esse tempo de espera que nos obriga sem querer a fugir à azafama das corridas e nos empurra para um banco onde temos simples e só que aguardar.

- "só consegue ligação daqui a três dias"

- "é melhor voar para Munique e alugar um carro para fazer o resto do caminho"

Numa dessas viagens abracei o "Pão de Açúcar" do Afonso Reis Cabral e devo dizer que acabei um voo em lágrimas. (Quem é que disse que os homens não choram? Bestas insensíveis).

A história da Gisberta é dura, crua e real. Transexual, sem abrigo, toxicodependente, crescida, criada e sofrida numa vida de discriminação e sofrimento e o sacaninha do Afonso Reis Cabral pega nisto de uma forma magnânima, na primeira pessoa leva-nos para dentro desta história pela mão e connosco constrói uma amizade com a Gi. 

Com ele corremos as ruas do Porto, construímos amizades e passeamos pelo lado mais negro do ser humano.

A minha vénia ao Afonso por lembrar isto de uma forma tão crua e por nos recordar que temos um caminho gigante à frente pelo fim da discriminação e por condições de vida dignas para todos e para todas. 

“Reconhecia nele, em dobro, a repulsa e o nojo que sentira ao encontra-la. Entretanto a minha aversão passara. Ter continuado a ajudá-la provava que afinal era mais homem do que rapaz, adulto em vez de criança, por oposição ao Nélson. E até por oposição ao Samuel, que conversava em paz com a Gi apenas por ainda não ter percebido que ela era um traveca igual aos que insultávamos em Santa Catarina.”

 

 

 

 

 

 

Ando sem energias, as semanas têm sido desgastantes e os dias extremamente longos e duros. Repararam que os dias encurtaram ou continuam a sair de casa de noite e chegar já escuro exatamente da mesma forma como há um mês ou dois atrás?

Nem tenho dado por noticias nem merdas (merdas é tudo o que não é noticia mas enche telejornais, revistas, conversas de café e obituários), mas reparei que parece que temos um novo governo, ou devo dizer gooooooveeerrrrnooooooo tamanha é a extensão de cargos. Só tenho a dizer que espero que sejam pessoas humanas e que façam um mini torneio de futebol 5. Dá à vontade para umas 10 equipas e certeza que durante a legislatura será extremamente agradável para um secretário de estado dar uma canelada num ministro ou, quem sabe, um secretário de estado que tem uma pasta meio partilhada com outro puder enviar o seu parceiro para uma baixa prolongada.

Imagino que muitos ministros que transitam do executivo anterior queriam dar um "chega chega" com o ministro das finanças.

Quanto ao ambiente; espero que o conselho de ministros seja feito numa sala arejada para não se tornar demasiado quente e abafado. 

Despeço-me de vocês com um beijinho no lóbulo da orelha (lavada) e com a seguinte informação muito relevante: hoje a Rosa Grilo vestiu uma roupa azul marinho a fugir da cadeia, demasiado fresca para a época. 

 

 

Deixo-vos coisinhas boas aqui em baixo

 

Devo dizer antes de mais nada, assim em jeito de declaração de interesses, que não tenho opinião formada sobre se a Catalunha deve ou não ser independente. Isso cabe obviamente aos Catalães e às Catalãs debater e escolher. 

Rajoy primeiro e agora Sanchez geriram todo este processo como elefantes em lojas de porcelana e com os seus toques de Midas invertidos transformaram uma questão política, que é o direito à autodeterminação dos povos, numa questão de falta de democracia e até de opressão de toda a região da Catalunha pelo governo central. 

Com a proibição da realização do referendo à independência por Rajoy deixámos de discutir a questão da viabilidade da independência para colocarmos no centro da questão a óbvia reivindicação pela democracia. Não podemos esquecer que o senhor Rajoy em 2017 envia a policia para reprimir a população tentando impedir a realização do referendo e posteriormente determinando (não o Rajoy mas a justiça, mas vocês perceberam) a prisão dos independentistas.

Nota: Estes independentistas não são uma malta que chegou à bruta e decidiu que a partir  dali iam tornar aquilo tudo independente, assim como quem decide que agora os cortinados vão ser azuis. Foram eleitos Democraticamente em 2015 com essa bandeira, a da Catalunha junta pelo Sim. 

A 14 de outubro deste ano (vocês sabem), o Tribunal Supremo de Espanha decide, num ato de loucura, condenar os responsáveis pela elaboração do referendo a penas que vão até 13 anos de prisão efetiva. 

Assim, Espanha encontrou uma gaveta funda e escura e escondeu lá a democracia. 

Obviamente que a população que havia eleito estas pessoas com a promessa de realizarem um referendo ao verem a sua condenação saíram à rua em protesto.

E Sanchez, ao ver os protestos o que é que faz?

- Repressão!

Que leva a?

- Violência!

E posto isto o que é que faz?

- Repressão mais forte, com policias de cabeça perdida a baterem em tudo o que mexe.

Boa, e o que acontece depois?

- Mais violência, carros a arder...

Vocês aprendem rápido.

Pedro Sanchez assumiu uma posição de braço de ferro recusando até reunir com o presidente da Generalitat (que foi eleito pelo povo da Catalunha) num ato de ditadura e de falta de respeito pelos Catalães e pelas Catalãs. 

Sanchez ao gerir isto com punho de ferro metendo a democracia no bolso e sendo o principal culpado por cada ferida, por cada pedra arremessada, por cada carro incendiado e por qualquer ato violento corre um risco sério que o desejo (legitimo) de independência da Catalunha alastre a outras zonas de Espanha com as mesmas pretensões entretanto adormecidas. (Boa sorte a gerir um queijo suiço)

 

Foto: AFP

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