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Direitos Por Linhas Tortas

Vivemos tempos conturbados, as ultimas eleições legislativas foram uma derrota para a esquerda como um todo enquanto a direita mais extrema cresceu de forma histórica. A verdadeira derrota não foi só nas urnas mas também na desconexão com a vida e com o desejo concreto das pessoas. 

A política das sensações, esse sentimento difuso de que “isto não está a funcionar” é hoje generalizado no seio da população, o que levou a uma profunda fratura entre as pessoas e as instituições não conseguindo a esquerda chegar a essa fratura com força e clareza. 

A extrema direita cresce porque parece, aos olhos de muitos, como a única força que acusa o “colapso” das instituições. Apropria-se do discurso de que o estado já não serve as pessoas. O capitalismo criou uma revolução falsa contra si próprio com o único objetivo de se manter no domínio e levando por fim a uma maior perda de direitos e liberdades. “O Estado como ferramenta de opressão” usando uma falsa revolução para reforço da opressão.  

Não podemos gerir ruínas, urge passar à reconstrução radical. 

A nossa resposta não poderá ser reformar o sistema ou a continuidade do sistema existente mas sim a reconstrução com e para o povo, numa realidade socialista, democrática, realista e participativa com conselhos locais e poder popular para planear e decidir serviços públicos e orçamentos comunitários. 

O país está “partido” e cabe ao Bloco ser a força que convoca e que lidera a revolução, voltando às bases, com menos técnica e mais proposta transformadora.  Com coragem política para formar e educar, para repolitizar o descontentamento e reorganizar a presença local.

O futuro constrói-se a partir de baixo e o bloco tem que estar lá.

 

 

 

 

Os dias estão cada vez mais curtos ou é impressão minha? Agora aproveito as viagens para consegui colocar as leituras em dia já que o tempo de manta e sofá está cada vez mais escasso. 

Uma viagem é sempre uma aventura não só pela viagem em si mas também pelas voltas e revoltas a que nos obrigam com voos atrasados e cancelados. Valha-nos esse tempo de espera que nos obriga sem querer a fugir à azafama das corridas e nos empurra para um banco onde temos simples e só que aguardar.

- "só consegue ligação daqui a três dias"

- "é melhor voar para Munique e alugar um carro para fazer o resto do caminho"

Numa dessas viagens abracei o "Pão de Açúcar" do Afonso Reis Cabral e devo dizer que acabei um voo em lágrimas. (Quem é que disse que os homens não choram? Bestas insensíveis).

A história da Gisberta é dura, crua e real. Transexual, sem abrigo, toxicodependente, crescida, criada e sofrida numa vida de discriminação e sofrimento e o sacaninha do Afonso Reis Cabral pega nisto de uma forma magnânima, na primeira pessoa leva-nos para dentro desta história pela mão e connosco constrói uma amizade com a Gi. 

Com ele corremos as ruas do Porto, construímos amizades e passeamos pelo lado mais negro do ser humano.

A minha vénia ao Afonso por lembrar isto de uma forma tão crua e por nos recordar que temos um caminho gigante à frente pelo fim da discriminação e por condições de vida dignas para todos e para todas. 

“Reconhecia nele, em dobro, a repulsa e o nojo que sentira ao encontra-la. Entretanto a minha aversão passara. Ter continuado a ajudá-la provava que afinal era mais homem do que rapaz, adulto em vez de criança, por oposição ao Nélson. E até por oposição ao Samuel, que conversava em paz com a Gi apenas por ainda não ter percebido que ela era um traveca igual aos que insultávamos em Santa Catarina.”

 

 

 

 

 

 

Somos todos loucos e temos todos a possibilidade de cair embrenhando na loucura se a sacana da “Bida” assim quiser. Artur Fleck nasceu na lama e na lama ficou até chegar à loucura apoteótica envolta na sua liberdade.

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O sacana do Joaquin Phoenix tem uma prestação soberba, façam entrar já a estatueta, pega na personagem e com ela cresce, luta, sofre, chora, ri desalmadamente e cai desamparado na violência dos subúrbios, ou melhor, cai sem rede na pressão diária da vida real daquelas pessoas que têm que ser mais que os outros para conseguirem chegar aos mesmos sítios. Joaquin Phoenix cai no sofrimento como Artur Fleck para depois se erguer livre como Joker transportado num olhar magnifico de Todd Phillips. Foi neste olhar incrível e na prestação física do Joaquin Phoenix que o filme me apanhou. E é mesmo "só" isso, um olhar incrivel, uma fotografia de meter as mãos na cabeça e um banho de representação de dizer "ais" e "uis" com fartura. 

Agora “botem as bistas” nisto e siga para o cinema. (façam lá o favor de não encherem o raio dos bancos cheios de pipocas que depois isto vem colado às calças das pessoas).

 

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