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Direitos Por Linhas Tortas

Vivemos tempos conturbados, as ultimas eleições legislativas foram uma derrota para a esquerda como um todo enquanto a direita mais extrema cresceu de forma histórica. A verdadeira derrota não foi só nas urnas mas também na desconexão com a vida e com o desejo concreto das pessoas. 

A política das sensações, esse sentimento difuso de que “isto não está a funcionar” é hoje generalizado no seio da população, o que levou a uma profunda fratura entre as pessoas e as instituições não conseguindo a esquerda chegar a essa fratura com força e clareza. 

A extrema direita cresce porque parece, aos olhos de muitos, como a única força que acusa o “colapso” das instituições. Apropria-se do discurso de que o estado já não serve as pessoas. O capitalismo criou uma revolução falsa contra si próprio com o único objetivo de se manter no domínio e levando por fim a uma maior perda de direitos e liberdades. “O Estado como ferramenta de opressão” usando uma falsa revolução para reforço da opressão.  

Não podemos gerir ruínas, urge passar à reconstrução radical. 

A nossa resposta não poderá ser reformar o sistema ou a continuidade do sistema existente mas sim a reconstrução com e para o povo, numa realidade socialista, democrática, realista e participativa com conselhos locais e poder popular para planear e decidir serviços públicos e orçamentos comunitários. 

O país está “partido” e cabe ao Bloco ser a força que convoca e que lidera a revolução, voltando às bases, com menos técnica e mais proposta transformadora.  Com coragem política para formar e educar, para repolitizar o descontentamento e reorganizar a presença local.

O futuro constrói-se a partir de baixo e o bloco tem que estar lá.

 

 

 

 

Os “zombies” vagueiam sem um padrão, numa dança sem obedecer a um tempo ou a uma forma, é uma massa de confusão sem um sentido certo, sem um tempo mas tudo no mesmo espaço. É um atropelo sincronizado que se torna até bonito de se ver. Corpos meio adormecidos deambulam uns atrás dos outros, por vezes em diversos sentidos, atropelam-se mas nem se vêem. 

 Visto de longe é como uma colónia de formigas que parecem deambular sem qualquer sentido mas na verdade vão umas atrás das outras seguindo as feromonas libertadas pelas da frente, no caminho para o mesmo objectivo. A formiga, como bichinho comunitário que é, liberta essa feromona, esse químico, para orientar as outras até à fonte alimento que as mesmas amealharão em conjunto para os dias que hão-de vir, tudo igual à nossa massa de “zombies”. 
 
 Os nossos queridos “zombies” seguem todos o mesmo objectivo mas, ao contrário da formiga que tem o intuito de amealhar, estes corpos letárgicos seguem a vontade de gastar o pouco que amealharam com horas da sua vida que venderam, a um preço injusto, enquanto eram explorados num qualquer trabalho precário. 
 
  Trabalharam horas de vida que não viveram, criaram nas suas cabeças necessidades que não têm e deambulam agora por corredores, tudo na mesma ânsia, a de cobrir uma falsa necessidade e saciar a fome momentânea da capacidade de compra. É o químico invisível do capitalismo que nos faz correr de loja em loja, que nos faz fazer um scroll incessável e falar por mensagem com a pessoa que está sentada ao nosso lado, é este químico invisível que nos faz caminhar, ir a concertos, a museus, viajar, até esperar à porta de um qualquer wc sem retirar os olhos de um ecrã. É esta feromona do scroll, da imagem da tv, do clicar em “saltar anuncio” de um qualquer video de youtube que já nos ver 30 segundos antes de fazer o tal clique mesmo para o cérebro assimilar a mensagem, é a imagem de um corpo que não existe e que nos faz desejar aquele creme reafirmante que nunca afirmou nada mais que um “compra-me”. 
 
Esta capacidade de fazer um ser humano ir cheio de vontade e de sorriso nos lábios para a confusão de um centro comercial onde se é mal atendido, onde se espera para tudo e mais alguma coisa, onde as pessoas se abalroam sem um simples “desculpe”, devia ser melhor aproveitada. Se uma publicidade indesejada é capaz de nos fazer ir almoçar por 20€ a um sitio onde esperámos em pé, acartamos o nosso próprio tabuleiro com comida requentada e já meio fria enquanto vagueamos na procura de uma mesa livre e minimamente limpa, também deve bem ser capaz de nos fazer ir cheios de alegria e orgulho a um qualquer hospital ou a uma loja do cidadão. 
 
Ao contrário das vozes do Pontal que pedem um corte nos impostos, devemos exigir ao sr ministro das Finanças que invista em publicidade de Youtube ou que contrate dois ou três "instagramers" e "tik tokers" para que percebamos a alegria que é podermos ir a um serviço publico gratuito e de qualidade (sem deixarmos de exigir sempre mais e melhor). 
 

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