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Direitos Por Linhas Tortas

Vivemos tempos conturbados, as ultimas eleições legislativas foram uma derrota para a esquerda como um todo enquanto a direita mais extrema cresceu de forma histórica. A verdadeira derrota não foi só nas urnas mas também na desconexão com a vida e com o desejo concreto das pessoas. 

A política das sensações, esse sentimento difuso de que “isto não está a funcionar” é hoje generalizado no seio da população, o que levou a uma profunda fratura entre as pessoas e as instituições não conseguindo a esquerda chegar a essa fratura com força e clareza. 

A extrema direita cresce porque parece, aos olhos de muitos, como a única força que acusa o “colapso” das instituições. Apropria-se do discurso de que o estado já não serve as pessoas. O capitalismo criou uma revolução falsa contra si próprio com o único objetivo de se manter no domínio e levando por fim a uma maior perda de direitos e liberdades. “O Estado como ferramenta de opressão” usando uma falsa revolução para reforço da opressão.  

Não podemos gerir ruínas, urge passar à reconstrução radical. 

A nossa resposta não poderá ser reformar o sistema ou a continuidade do sistema existente mas sim a reconstrução com e para o povo, numa realidade socialista, democrática, realista e participativa com conselhos locais e poder popular para planear e decidir serviços públicos e orçamentos comunitários. 

O país está “partido” e cabe ao Bloco ser a força que convoca e que lidera a revolução, voltando às bases, com menos técnica e mais proposta transformadora.  Com coragem política para formar e educar, para repolitizar o descontentamento e reorganizar a presença local.

O futuro constrói-se a partir de baixo e o bloco tem que estar lá.

 

 

 

 

Sabem aqueles Tupperware´s com restos de comida que atafulhamos no frigorífico mesmo sabendo que vão começar a cheirar mal e teremos sempre que colocar no lixo depois? Foi exactamente isso que fizemos com este governo de Luís Montenegro. 

Antes da forma desastrosa como a coisa acabou devemos pensar um bocadinho no restante... 

O PSD, deu ao país alguns nomes que todos conhecemos, Sá Carneiro, Cavaco Silva, Durão Barroso, Santana Lopes, Alberto João Jardim, entre muitos outros como Duarte Lima e Oliveira e Costa, e deu-nos também Luís Montenegro. 

Como podemos verificar são tudo bons rapazes e todos são gente do mais elevado nível de seriedade. 

Mas trafulhice a parte que não vamos agora falar de BPN nem de atropelamentos de velhinhas, as políticas,  que essas sim, mais do que qualquer rendimento não declarado são essas mesmas que influenciam a vida de qualquer português no seu dia a dia. E nesse capitulo, Luís Montenegro não iria ser diferente dos governos do PSD que o antecederam, não iria, não estava, nem está a ser, continuando a ânsia de privatizar tudo o que mexe e de agora, tal como antes, entregar o máximo possível antes da saída. Miguel Pinto Luz é aliás um especialista em assinar decretos na 25ª Hora. 

Luís Montenegro chegou ao governo com a mesma bandeira de muitos governos do PSD, a descida do IRC, colocando assim mais dinheiro no bolso dos grandes empresários deixando logo à chegada os cidadãos comuns fora da equação. Um mês e pouco mais tarde, em Junho, o governo anuncia, em mais um PowerPoint todo airoso, medidas para acabar com as formas de regularização dos emigrantes em situação ilegal, e que rica medida para esfregar o ego dos apoiantes mais a direita e de colocar pessoas num limbo legal. Nota: Não esquecer que foi o PSD que pariu um Chega. 

E chegamos às medidas de apoio à habitação para os Jovens, medida muito anunciada para resolver o problema do acesso à habitação mas que no final de contas o que fez? Podem soar os tambores... Exactamente, fez o preço da habitação subir mais. Ficamos a saber também que quem mais beneficia da medida são jovens estrangeiros com maior poder de compra. Mas Luís Montenegro não ficou feliz, achou que os jovens portugueses já estavam a beneficiar demasiado desta medida e decidiu mais uma vez beneficiar quem? Lá está, decidiu alargar a medida às sociedades financeiras. Obrigado por olhares pela população Luís. 

Durante o seu governo Luís Montenegro decidiu também homenagear Pedro Santana Lopes fazendo mais nomeações num ano que António Costa em oito. Qualquer coisa como mais de vinte e seis mil pessoas. Sim, sim, isso mesmo, mais de vinte e seis mil pessoas colocadas em cargos e carguinhos. 

Como não podia deixar de ser, um governo do PSD não conseguiria estar em funções sem mexer na educação e na saúde. 

Tirando o caos da nomeação de professores que já só por si é motivo de indignação, o ministro decidiu ameaçar com o aumento de propinas, limitando o acesso dos que menos têm ao ensino superior. Esta medida ficou na prateleira por dois anos mas foi o suficiente para percebermos o que o governo desejava. 

Na saúde, ai senhores, na saúde...

Esta ministra é o exemplo que o serviço nacional de saúde é das melhores coisas que construímos mesmo após tantos ataques de diversos governos da direita.

O serviço nacional de saúde conseguiu aguentar no cargo até ao final uma ministra já defunta politicamente. 

Ana Paula Martins ficou marcada pelas falhas de atendimento do INEM, levando a 11 mortes. Ficamos a saber que a ministra tinha conhecimento dos pré avisos de greve e não fez nada. 

Este governo de Luís Montenegro ainda depois da sua queda tenta a toda a força retalhar o serviço nacional de saúde entregando-o aos privados. Cinco novas PPP estão em cima da mesa mesmo já sem legitimidade para tomar este tipo de decisões. Juntando a isto, o ainda governo defunto quer entregar cento e setenta e quatro centros de saúde para a gestão privada. 

Neste ponto já o Tupperware começava a cheirar mal mas ainda decidimos manter no frigorífico. 

Foi um ano demasiado mau, ainda podemos temperar este conteúdo com um ministro a chamar bêbado aos maquinistas da cp, com um pouquinho de lei dos solos que abre caminho a mais corrupção mas não sem antes adicionar ainda uma pitada de perceções que para o governo superam qualquer estatística ou estudo. 

Posto isto senhoras e senhores, a moção de confiança depois de tanta trapalhada foi só o Tupperware a pedir "deitem-me no lixo por favor". 

Ando sem energias, as semanas têm sido desgastantes e os dias extremamente longos e duros. Repararam que os dias encurtaram ou continuam a sair de casa de noite e chegar já escuro exatamente da mesma forma como há um mês ou dois atrás?

Nem tenho dado por noticias nem merdas (merdas é tudo o que não é noticia mas enche telejornais, revistas, conversas de café e obituários), mas reparei que parece que temos um novo governo, ou devo dizer gooooooveeerrrrnooooooo tamanha é a extensão de cargos. Só tenho a dizer que espero que sejam pessoas humanas e que façam um mini torneio de futebol 5. Dá à vontade para umas 10 equipas e certeza que durante a legislatura será extremamente agradável para um secretário de estado dar uma canelada num ministro ou, quem sabe, um secretário de estado que tem uma pasta meio partilhada com outro puder enviar o seu parceiro para uma baixa prolongada.

Imagino que muitos ministros que transitam do executivo anterior queriam dar um "chega chega" com o ministro das finanças.

Quanto ao ambiente; espero que o conselho de ministros seja feito numa sala arejada para não se tornar demasiado quente e abafado. 

Despeço-me de vocês com um beijinho no lóbulo da orelha (lavada) e com a seguinte informação muito relevante: hoje a Rosa Grilo vestiu uma roupa azul marinho a fugir da cadeia, demasiado fresca para a época. 

 

 

Deixo-vos coisinhas boas aqui em baixo

 

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