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Direitos Por Linhas Tortas

Os dias estão cada vez mais curtos ou é impressão minha? Agora aproveito as viagens para consegui colocar as leituras em dia já que o tempo de manta e sofá está cada vez mais escasso. 

Uma viagem é sempre uma aventura não só pela viagem em si mas também pelas voltas e revoltas a que nos obrigam com voos atrasados e cancelados. Valha-nos esse tempo de espera que nos obriga sem querer a fugir à azafama das corridas e nos empurra para um banco onde temos simples e só que aguardar.

- "só consegue ligação daqui a três dias"

- "é melhor voar para Munique e alugar um carro para fazer o resto do caminho"

Numa dessas viagens abracei o "Pão de Açúcar" do Afonso Reis Cabral e devo dizer que acabei um voo em lágrimas. (Quem é que disse que os homens não choram? Bestas insensíveis).

A história da Gisberta é dura, crua e real. Transexual, sem abrigo, toxicodependente, crescida, criada e sofrida numa vida de discriminação e sofrimento e o sacaninha do Afonso Reis Cabral pega nisto de uma forma magnânima, na primeira pessoa leva-nos para dentro desta história pela mão e connosco constrói uma amizade com a Gi. 

Com ele corremos as ruas do Porto, construímos amizades e passeamos pelo lado mais negro do ser humano.

A minha vénia ao Afonso por lembrar isto de uma forma tão crua e por nos recordar que temos um caminho gigante à frente pelo fim da discriminação e por condições de vida dignas para todos e para todas. 

“Reconhecia nele, em dobro, a repulsa e o nojo que sentira ao encontra-la. Entretanto a minha aversão passara. Ter continuado a ajudá-la provava que afinal era mais homem do que rapaz, adulto em vez de criança, por oposição ao Nélson. E até por oposição ao Samuel, que conversava em paz com a Gi apenas por ainda não ter percebido que ela era um traveca igual aos que insultávamos em Santa Catarina.”

 

 

 

 

 

 

Entro numa loja e tropeço logo no "Lisboa, chão sagrado" da Ana Bárbara Pedrosa.

- O que? Não conhecem o nome? Então gravem bem na memória que vão ouvi-lo muitas vezes.

É o romance de estreia desta autora de quem, espero, ainda vamos ouvir falar muito.

Já há muito tempo que não devorava um livro num só dia e a Ana Bárbara Pedrosa trouxe-me isso de novo, juntamente com um soco no estômago.

Um romance de desamores, de desencontros, de conflitos e com a paixão bem no centro do enredo.

Preparem-se para sentir esta nova lisboa bem presente e de repente viajar até ao brasil sentindo o calor e o suor a escorrer pelas costas colando a camisola ao corpo. Preparem-se para ir de Lisboa à Bahia, para correr o mundo até á ocupaçao da Palestina por Israel e tudo sem sair do sofá. 

A Ana Bárbara tem aquele talento de dar um valente abanão a quem a lê questionando, excitando e fazendo-nos voar de uma forma brutal e honesta. 

Bendita côr neste mundo tantas vezes cinzento. 

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lisboa.jpg

 

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